sábado, 29 de abril de 2006

e agora não consigo lembrar o dia que não consigo esquecer - não era essa a letra da canção mas foi o que entendi lembrei: andamos os dois juntos por dez minutos em 1996 ao longo de uma rua até a esquina e, depois de dobrarmos à esquerda, até a esquina seguinte em frente ao prédio em que você morava tchau ou até logo ou penso nisso desde então mas não consegui salvar nenhuma palavra e devemos ter dito quinze ou dezesseis cada um

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Vivo (roubado do Daniel Turini) Lurdes ganhou da sobrinha-bisneta um cachorro de pelúcia dispensa cuidados ao cachorro todos os dias está caduca dizem na família sabe, querida, o cachorrinho que você me deu? ontem latiu para mim claro vovó (toma mamãe o telefone rápido faz alguma coisa minha tia-bisavó está caduca) não conte ainda para sua filha, Agda, mas ela caiu justinho no chiste do primeiro de abril acredita imagine que o cachorro late
- A Suzana atendeu hoje um cara chamado Ita. Como você chamaria um cara chamado Ita? - Senhor Ita? - Ela disse que ele quase gritou no telefone "Ô, menina, pára de me chamar de Senhor Ita. Me chama de qualquer coisa, Seu Ita, doutor Ita, mas pára de me chamar de Senhor Ita, pelo amor de Deus".

segunda-feira, 3 de abril de 2006

venha voando (para Angélica Freitas) deixei as roupas do ano passado no ano passado vamos tomar um suco e comer bolinhos de polvo sob o sol de pé no asfalto deixei os ombros cobertos no ano passado deixei de ouvir a cidade o que dizem para mim quando ando sozinha ouço música e olho assim não tenho que estar todo o tempo a procurar curativos “pensos-rápidos” diria Adília algodão e esquecimento deixei o ano passado no ano passado não deixei tudo é verão mesmo nesta cidade uso blusa de alcinhas vamos tomar um suco e comer bolinhos de polvo sob o sol de pé no asfalto (poema escrito para ser lido no almoço de domingo que virou janta que virou dia inteiro muito feliz com pessoas fabulosas)