sábado, 9 de setembro de 2006

Motor Vou acabar machucando minha boca você diz seus lábios estão ressecados pelo frio seus dentes encontram as pontas de pele para arrancá-las Antes que se pense a respeito os dentes lá estão E mesmo que se pense a respeito os dentes lá estão Há pouco você evitou um outro gesto irrefletido quando sua mão e seu fôlego estavam prontos a acender um cigarro Sem um maço e sem fogo no bolso o gesto não se completa e ainda que o sabor da fumaça não mais o mova por um instante a mão e o fôlego são no seu corpo algo que falta trata-se de um buraco a morte difícil de um hábito Meus lábios também se partem no frio e também os mastigo Não precisa esperar comigo você diz passar frio à toa o ônibus vem logo ou demora pouco posso esperar sozinho Eu sorrio não sei dizer nada não saio daqui necessito (como sua mão de um cigarro que se tire do maço e se prenda entre os dedos) ver você entrar no ônibus olhar ao redor sentar-se ver você ainda enquanto desaparece

4 Comments:

Anonymous gilson said...

Que bom que você esteja de volta, Caetano. E com um poema tão rigoroso e tão bom

11/9/06 09:00  
Anonymous Anônimo said...

Caetano... que lindo...
bjos
Natacha

16/9/06 17:30  
Anonymous marco said...

não li a matéria do mondrian, mas ver os bovinos reencontrados foi uma coisa que animou a manhã e eu resolvi marcar aquilo de alguma forma. pobre do tio, que ficou sem esse crédito. haha, você agora é o bonequinho narigudo? :^)

22/9/06 16:16  
Blogger v. said...

caetaninho... que saudade de tu e de encontro ao acaso no ônibus que me dá.

lindo, lindo poema.

1/10/06 12:11  

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